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Confinamento: saída ou o gargalo da produção de cordeiros de corte?

22/06/2009

A fisiologia do ovino de corte faz com que a alimentação dada de forma correta seja responsiva no sistema intensivo como um todo, tornando a ovinocultura bastante atraente frente a outros segmentos da pecuária de corte. A atenção que se dá à alimentação do cordeiro do seu nascimento até o desmame é, sem dúvida, a forma mais barata e rentável de otimizar o seu ciclo de produção com reflexos até mesmo para a sua terminação. Mas, para que isso aconteça, é pre¬ciso conhecer os propósitos da alimentação, basicamente a alimentação intensiva feita à base de concentrados.

A intensificação de um sistema de produção deve ser contínua e crescente. Quanto mais harmoniosa esta relação, menos tempo levará o cordeiro para o abate, portanto, entende-se que um cordeiro mal criado até o seu desmame tão pouco reagirá ao confinamento.

O confinamento deve ser associado à palavra terminação, somente a ela, sendo, desta forma, a última etapa da produção de carne. Como primeira etapa, tem-se a fase do nascimento até a desmama. A característica desta é pela produção de músculo no animal. A musculatura desenvolvida nesse início de crescimento é, via de regra, a fase mais barata do desenvolvimento do cordeiro, mesmo porque o cordeiro ingere quantidades importantes de leite materno, extremamente rico e gratuito. Com a idade, a velocidade de crescimento muscular diminui e os alimentos ingeridos são convertidos em gordura.

A deposição de gordura é a fase subsequente do crescimento e se caracteriza pela formação de um tecido de cobertura, mais energético do que o tecido muscular. Isso faz com que o crescimento diminua, demandando, portanto, uma alimentação mais calórica para a manutenção da conversão de alimentos em ganho de peso. Desta forma, a gordura deve ser vista como coadjuvante do processo de terminação, mantida sob um mínimo necessário para a conservação da carne durante o seu processamento. A obtenção de peso alto a desmama permite que se suprima a fase de recria, fazendo com que cordeiros desmamados possam entrar racionalmente no confinamento. A supressão da recria torna o modelo de produção mais dinâmico uma vez que ao entrar no confinamento o animal precise de pouco peso e da camada de gordura, futura proteção da carcaça, para que possa ser manipulada mesmo sob alimentação intensiva.

O uso do sistema de cocho privativo (creep-feeding) na produção de carne é capaz de diminuir os custos do animal confinado. Primeiro por promover um grande crescimento muscular sem formação de gordura, mesmo consumindo altas doses diárias de concentrado. Em segundo lugar por desmamar animais mais pesados que sairão mais rápido do confinamento. Além dos fatores de desmama citados, um cordeiro desmamado com peso baixo diminui a sua capacidade de ingestão, uma vez que esta é calculada a partir de seu peso vivo. Essa ingestão baixa não permite que a alimentação supra de forma completa (carboidratos e proteínas) as necessidades do cordeiro em terminação. Observa-se que após a desmama o cordeiro dependerá preferencialmente da alimentação em cocho e não mais da combinação cocho e leite materno. O resultado é um crescimento lento em confinamento que custará ao criador de 50-150 g menos ganho de peso diário.

As contas ficam mais claras quando exemplificadas. Observam-se cordeiros com dois pesos ao desmame: 17 kg e 23 kg. O primeiro ganhando 250 g/dia e o segundo, 300 g/dia. O cordeiro de 17 kg terá que se desenvolver até alcançar o peso do outro animal, portanto, serão 24 dias de confinamento: (23 kg - 17 kg) / 0,250 g= 24 dias de confinamento. A partir daí, o ganho converte-se para 300 g diários. O animal que agora está com 23 kg deve alcançar os 35 kg exigidos pelo frigorífico, para tanto, serão necessários mais 12 kg que, com um ganho diário de 300 g, levará mais 40 dias de confinamento: (35 kg - 23 kg) / 0,300 g = 40 dias de confinamento.

Na mesma linha de raciocínio, o cordeiro desmamado aos 23 kg ficará somente 40 dias em confinamento. Se ponderados os custos da fase de terminação de ambos (40 dias/64 dias), tem-se um cordeiro 62,5% mais caro do que outro em seu custo final.

Pode-se inferir com isto que o confinamento deve ser visto como necessário exclusivamente para terminação de cordeiros de corte e não usado para recria de cordeiros desmamados com baixo peso. Se usado corretamente, o confinamento é capaz de promover altos ganhos de peso, diminuição do tempo de terminação, melhoria na qualidade da carne, uniformidade da produção e lucro. Agora, cabe aos produtores pensar: o confinamento é o gargalo ou a saída para a terminação de cordeiros de corte?

Ana Carolina Prado Zara é zootecnista e consultora em Sistema de Produção de Ovinos. Antÿnio Sérgio Villas Boas é zootecnista, consultor e Doutor em Nutrição de Ruminantes. Artigo também publicado em www.farmpoint.com.br