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Manejo nutricional incorreto traz prejuízos para a ovinocultura
05/01/2009
Líder no trabalho de pesquisa e desenvolvimento do Grupo Evialis, a maior empresa de nutrição animal do país, a zootecnista Soraia Marques Putrino, gerente de P&D do grupo no Brasil, levanta um tema preocupante para a ovinocultura brasileira. Segundo ela, “grande parte dos criadores não oferece nutrição adequada para seus animais”.
Com isso, o desempenho dos animais destinados ao abate cai, ocorrendo menor ganho de peso, conversão alimentar, falta de cobertura de gordura adequada, além de menor desempenho reprodutivo e deficiência na produção de leite para as crias. Outra conseqüência é que eles ficam mais susceptíveis a doenças de origem metabólica ou por baixa imunidade. “Uma nutrição deficiente pode fazer com que a produtividade seja reduzida a ponto de inviabilizar economicamente a criação”, ressalta a gerente.
Alguns problemas metabólicos que podem ser listados: a acidose, que em geral é ocasionada devido à falta de volumoso na dieta; a urolitíase em ovinos, também causada pela deficiência de volumoso e/ou desequilíbrio de minerais na dieta. Além disso, fêmeas no estágio final de gestação que estão super ou sub-nutridas, podem adquirir a toxemia da prenhes.
“Os erros com relação ao manejo nutricional predominam. E, na verdade, quando feita corretamente, é a melhor forma de prevenir e solucionar alguns problemas como esses que acontecem com tanta freqüência no campo”, enfatiza Soraia Putrino.
A nutrição de ovinos, assim como de outras espécies, deve estar baseada nas exigências nutricionais de cada categoria animal, que variam de acordo com o peso, idade, raça, sexo e fase da vida – crescimento, engorda, gestação e lactação.
O animal jovem, em fase de crescimento, por exemplo, tem maiores exigências de proteína em relação ao animal adulto, já que possui acentuada deposição muscular. As exigências de proteína também são mais elevadas para fêmeas em terço final de gestação – cordeiros ganham até 70% do seu peso no nascimento -, e lactação em relação às fêmeas em manutenção.
Já as exigências de energia são maiores na fase de deposição de gordura como animais em terminação; e, mais uma vez, as fêmeas em terço final de gestação têm maiores requerimentos energéticos em relação às que estão na fase de manutenção.
Para o suprimento da proteína e energia requeridas em algumas fases da vida do animal, é fornecido o alimento concentrado. O tipo de concentrado e a quantidade a serem fornecidos dependem da qualidade do volumoso que os animais têm à disposição. E assim como a deficiência de nutrientes pode comprometer a produtividade animal, o excesso pode causar o mesmo efeito. O excesso de energia, por exemplo, eleva o acúmulo de gordura que pode comprometer a performance de animais destinados à reprodução.

